Monday, September 25, 2006

O rapaz do tambor


A música

Álamos música de matutina cal.
Doces vogais de sombra e água num verão de fulvos lentos animais.
Calhandra matinal no céu branco de punho.
Acidulada música de cardos.
Música do fogo em redor dos lábios.
Desatada, à roda da cintura.
Entre as pernas, junta.
Música das primeiras chuvas sobre o feno.
Só aroma.
Abelha de água.
Regaço onde o lume breve duma romã brilha.
Música, levai-me:Onde estão as barcas? Onde são as ilhas?

Eugénio de Andrade

Wednesday, September 20, 2006

A minha aldeia


A minha aldeia

Minha aldeia é todo o mundo. Todo o mundo me pertence. Aqui me encontro e confundo com gente de todo o mundo que a todo o mundo pertence. Bate o sol na minha aldeia com várias inclinações. Angulo novo, nova ideia; outros graus, outras razões. Que os homens da minha aldeia são centenas de milhões. Os homens da minha aldeia divergem por natureza. O mesmo sonho os separa, a mesma fria certeza os afasta e desampara, rumorejante seara onde se odeia em beleza. Os homens da minha aldeia formigam raivosamente com os pés colados ao chão. Nessa prisão permanente cada qual é seu irmão. Valência de fora e dentro ligam tudo ao mesmo centro numa inquebrável cadeia. Longas raízes que imergem, todos os homens convergem no centro da minha aldeia
António Gedeão(Portugal, 1906-1997)

Foto tirada em Alpedrinha, na festa dos Chocalhos 2006 (Transumância)

Tuesday, September 19, 2006

Festa dos Chocalhos 2006 Alpedrinha


Este espectáculo aconteceu numa capela muito antiga (chamada a Capela do Leão) e fazia parte dum casarão privado, Acordeonista Sertório de Mora
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É no silêncio
é no silêncioque melhor ludribio a morte
não já não me prendo a nada mantenho-me suspenso neste fim de século reaprendo os dias para a eternidade porque onde termina o corpo deve começar outra coisa outro corpo
ouço o rumor do vento vai alma vai até onde quiseres ir
In «Uma Existência de Papel»: Regresso às Histórias Simples, 1984/1985
Al Berto(Portugal, 1948-1997)

Wednesday, September 13, 2006

Casa Rústica

Casa do Cardeal D. Jorge da Costa

Janela de Alpedrinha

Entrada de uma casa em Alpedrinha

Thursday, September 07, 2006

Caminho Romano da Serra da Gardunha


Excepcionalmente, a poesia mescla-se com as nossas preocupações em termos do património. É o caso do artigo de hoje. Há muito que uma das atracções da serra da Gardunha é para nós subi-la pelo caminho romano, prazer partilhado com muitos, aspirando a maravilhosa aragem retemperadora, perseguidos sempre com perfumes de figo, hortelã selvagem, oregãos, e demais aromas silvestres, embalados por águas rumorejantes, vento brando, melodiosas aves e sombras de ciprestes e castanheiros, ladeados por amoras e granito.
Com a construção da A23 e do túnel da Gardunha, a paisagem sofreu alterações, mas o velho e esplendoroso caminho romano de lajes irregulares, belíssimo, pela envolvência e vistas que proporciona, mantém-se ainda intacto na maior parte do percurso, aliando-se a uma Natureza que resiste a fogos e vários descuidos, às vezes malfeitorias.
Se andar por aquelas bandas, não hesite e conheça este património.

Texto de Luis Filipe Maçarico
(este texto foi retirado do Blog a Aldraba, em que eu tb sou sócio)

A descoberta dos pormenores


A descoberta dos pormenores nesta vila é fascinante para o olhar, eu que não sou normalmente fotógrafo de pormenores fiquei encantado com alguns destes momentos que tentarei mostrar, espero que gostem.

O grafismo da Princesa da Gardunha


O grafismo da Princesa da Gardunha, quando o sol está no zénite, o grafismo das paredes é muito bonito e possível de muitas leituras, como é o caso desta imagem.

Gostar de Alpedrinha é conhecê-la


Nesta foto o Antropólogo e Poeta Luis Maçarico, conversa com um cidadão de Alpedrinha, as horas em que foi tirada esta foto não são as melhores, mas, o que conta mesmo é mostrar a minha visão desta Vila a quem chamam a Sintra das Beiras.

Montra de Padaria


Uma das riquezas que me deu a ver em Alpedrinha são as suas montras do comércio, esta por exemplo uma padaria com a sua balança, adorei.

A vida é feita de pequenos nadas


Na Festa do Anjo da Guarda em Alpedrinha, andava eu a visitar a Vila e a fotografar e dou com este momento precioso onde uma senhora esperava a banda passar como diria o Chico Buarque, de facto a vida é feita de pequenos nadas, ainda bem que é assim.

Eterno feminino


Na minha descoberta por Alpedrinha encontrei esta imagem enigmática na Igreja Matriz, guardada sabe-se lá desde quando, enigmática quanto baste, eu e ela ficámos a olhar-mo-nos um para o outro, sem dizermos sequer uma palavra, achámos que não valia a pena dizer nada, fotografei-a e virei-lhe as costas sem olhar para trás, ela sabe que um dia irei visitá-la.

A D. Maria e o Poeta Antropólogo Luis Maçarico


A Senhora que se encontra na foto é a D. Maria de Alpedrinha, na conversa com o Antropólogo e Poeta meu Amigo Luis Maçarico, nesta tasca bebe-se uma excelente ginginha.

Nasce mais um blog...

Concerteza que será mais um na web, e porquê mais um, de visita a Alpedrinha a convite do meu Amigo Antropólogo e Poeta Luis Maçarico, à Festa do Anjo da Guarda em Alpedrinha, bebi a água da fonte que diz quem beber desta água casará em Alpedrinha ou voltará a esta Vila da Beira Baixa, e concerteza que irei lá muitas vezes o casar em Alpedrinha logo se verá, este blog tem como pano de fundo a fotografia que é aquilo que eu mais gosto de fazer navida que é fotografar o meu País e a minha "gente", espero que gostem de Alpedrinha assim como eu gosto.

Obrigado