Wednesday, September 20, 2006

A minha aldeia


A minha aldeia

Minha aldeia é todo o mundo. Todo o mundo me pertence. Aqui me encontro e confundo com gente de todo o mundo que a todo o mundo pertence. Bate o sol na minha aldeia com várias inclinações. Angulo novo, nova ideia; outros graus, outras razões. Que os homens da minha aldeia são centenas de milhões. Os homens da minha aldeia divergem por natureza. O mesmo sonho os separa, a mesma fria certeza os afasta e desampara, rumorejante seara onde se odeia em beleza. Os homens da minha aldeia formigam raivosamente com os pés colados ao chão. Nessa prisão permanente cada qual é seu irmão. Valência de fora e dentro ligam tudo ao mesmo centro numa inquebrável cadeia. Longas raízes que imergem, todos os homens convergem no centro da minha aldeia
António Gedeão(Portugal, 1906-1997)

Foto tirada em Alpedrinha, na festa dos Chocalhos 2006 (Transumância)

2 Comments:

Blogger Pintelho Frisado said...

Que lindo!!!! Escreve-se sobre Alpedrinha sem se saber o que nela se passa. O sr. esteve cá nos Chocalhos, claro, um sucesso….mas…animação de rua (tirando os ranchos, dos quais a população já anda farta) onde estava? Esteve cá no 1º ano dos Chocalhos? Nessa altura sim eram os Chocalhos onde toda a Vila estava cheia de actividades, a partir daí foi sempre a regredir.
Alpedrinha é Linda, é verdade, Alpedrinha encanta-nos, é verdade…é a minha terra, é Nela que passo a maior parte da minha e é Nela que quero ser enterrado mas….e os meus filhos??
Espaço publico de Internet?!! Não existe
Espaço para praticar (e note-se bem) qualquer tipo de desporto?? Não existe. (nem a estrada da Touca dá para correr tal a sua irregularidade). Pergunte ao sr. Fernando Pires onde os jovens Alpetrinienses (outrora ele próprio) jogam à bola? Eu respondo: num bocado de cimento que só se vai arranjar quando lá acontecer alguma desgraça, como por exemplo cair alguma baliza em cima de algum miúdo ou quando a parede da baliza sul cair (aquilo abana por todos os lados) ou mesmo quando o chão se abrir (consta-se que passa lá um ribeiro de baixo mas ninguém sabe ao certo porque ninguém explica.
Actividades para os jovens (tirando o rancho). Não existe.
Caminhos rurais devidamente arranjados que dêem para pelo menos se circular e excluindo todos os que foram arranjados para as diversas moradias do Sr. Presidente? Não existe.
Sr. Mário Sousa, não o conheço, nem quero denegrir a imagem que o sr. tem sobre Alpedrinha, mas pergunte os nossos dirigentes se isto não é verdade. E falo em especial aos srs. Nelson e Fernando que são jovens mas não são dinâmicos e defendem o que não tem defesa. Alpedrinha está a morrer.
Faço-lhe um desafio sr. Mário Sousa, passe por lá um fim-de-semana destes, qualquer um, de surpresa e vai ver o tédio que é.
Como dizia alguém:”só sabe da barca quem anda nela”.Abraço e espero não o ter maçado com esta conversa.
Fique com Deus

7:53 AM  
Blogger MRS said...

Caro Pintelho frisado, li com atenção a sua prosa, concerteza terá as suas razões para estar magoado com os autarcas da sua Alpedrinha, é a si que lhe compete resolver esse problema, a mim, cabe-me divulgar uma Vila que já a visito por duas vezes e espero voltar novamente em Novembro e Dezembro, compreendo-o mas tb, nunca gostei daqueles que não dão a cara, isso era antigamente, como é possivel o senhor constatar factos e depois não dá a cara nem sequer sabemos quem é, eu tenho nome próprio, existo, sou gente, uma coisa temos em comum, ambos gostamos de Alpedrinha, abraço.

4:04 AM  

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